terça-feira, 26 de julho de 2011

"O ROSTO DE DEUS"

Rafael, Michelangelo e vários outros pintores tentaram retratar o rosto de Deus. Foram infelizes.
 Como mostrar na tela quem nunca foi visto? muitos artistas procuram esboçar o que imaginam ser o rosto de Deus.
Ele se parece com uma criança? É o frágil bebê das manjedouras? Talvez; o reino do céu pertence aos pequeninos, aos que mamam. Ao tentar desenhar o mistério, o artista termina com um ÍDOLO.
O rosto de Deus entretanto, pode ser  experimentado nos sem-teto  que perambulam pelas ruas e dormem nos viadutos das grandes cidades. Quando Jesus nasceu, a família estava sem moradia certa, não possuía recursos para pagar uma hospedaria e viu-se obrigada a refugiar-se em um estábulo.


O rosto de Deus pode ser percebido em vítimas de preconceito e em injustiçados.
 Sobre o menino que nasceu em Belém pairou uma dúvida: ele era de fato filho de José? O casal não inventara aquela história para se safar de um rolo?


O rosto de Deus se revela nos desprezíveis, nos que foram condenados à margem da história. Quando o menino nasceu, ninguém notou o alarido dos anjos. A trombeta que anunciou a paz na terra pela boa vontade de Deus passou desapercebida da grande maioria. Apenas um punhado de pastores foi sensível para presenciar o momento mais importante da história.


 Qual o rosto de Deus? Ele não se parece com os cartões postais ou com o menino de barro das lapinhas. Deus é igualzinho a Jesus. E Jesus é bem parecido com o vizinho do lado, com a mulher que pede socorro na delegacia do bairro e com a família que chora a morte do filho no corredor do ambulatório.


Não é preciso muito para encontrar Deus, basta um coração de carne humano




Paulo Romeiro (igreja cristã da trindade)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

"ALTA COSTURA"


No tecido da história familiar, as mãos de minha mãe reforçaram as costuras para me proteger de qualquer empurrão da vida…
As mãos de minha mãe uniram com um alinhavo as partes do molde sem esquecer que cada uma é diferente da outra e que juntas fazem um todo como a família…
As mãos de minha mãe fizeram bainhas para que  eu pudesse crescer, para que não  ficassem curtos os ideais…
As mãos de minha mãe remendaram os estragos para voltar a usar o coração, sem fiapos de ressentimentos…
As mãos de minha mãe juntaram retalhos para que eu tivesse uma manta única que me cobrisse…
As mãos de minha mãe seguraram presilhas e botões para que estivéssemos unidas e não perdêssemos a esperança…
As mãos de minha mãe aplicaram elásticos para eu pudesse adaptar folgadamente às mudanças exigidas pelos anos…
As mãos de minha mãe bordaram maravilhas para que a vida me surpreendesse com as suas contínuas dádivas de beleza…
As mãos de minha mãe coseram bolsos para guardar neles as moedas valiosas das melhores recordações e da minha identidade…
As mãos de minha mãe, quando estavam quietas, zelavam os meus sonhos para que alimentassem os meus ideais com o pó das suas estrelas…
As mãos de minha mãe seguraram-me com linhas mágicas, quando entrava na vida, para começar a vesti-la!
As mãos de minha mãe nunca abandonaram o seu trabalho.
E sei muito bem que hoje, onde estiverem, fazem orações por mim…
E eu… Eu beijo-as como se recebesse bênçãos!

Obrigada mamãe

desconheço o autor....